quarta-feira, 9 de outubro de 2013

ALIMENTOS QUE ALIVIAM A DOR: CÓLICAS

        A maioria das mulheres já sentiu (ou sente) cólica menstrual (dismenorreia) em algum momento da vida. A causa desse desconforto, que pode evoluir para dores intensas, é a liberação de uma substância chamada prostaglandina, responsável por fazer o útero se contrair para eliminar o endométrio por meio do sangramento da menstruação – devido à não existência de gestação. 
        A ginecologista e obstetra Erica Mantelli diz que, na maioria dos casos, não há motivos para se preocupar, mas é preciso ter atenção: “Se as dores costumam ser muito fortes e persistentes, acompanhadas de enjoos, diarreia, desmaios ou queda de pressão, é aconselhável procurar um especialista o quanto antes”. Assim, poderá ser indicado o melhor tratamento e saber se há alguma doença associada às cólicas, como a endometriose, os miomas, os cistos de ovários, a estenose cervical e os tumores pélvicos.

Como aliviar os sintomas

       Mesmo depois de consultar o ginecologista e constatar que está tudo bem, muitas mulheres continuam sentindo alguns desconfortos. Nesses casos, atividades físicas regulares, massagensacupuntura e a tradicional bolsa de água quente sobre o ventre podem ajudar muito. Mas você sabia que também pode contar com grandes aliados da cozinha? 
       Ter uma dieta balanceada durante todo o mês é indispensável, mas a sua alimentação pode ser incrementada dias antes da menstruação para diminuir as cólicas. “Estudos apontam que doses mais elevadas de cálcio, ômega 3, magnésio, zinco e vitaminas B6, C e E têm esse poder”, explica. Além disso, é aconselhável reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, de gordura saturada (encontrada em carnes gordas, frangos com pele e embutidos) e, principalmente, de substâncias que estimulam a contração dos vasos do endométrio, como a cafeína, presente no café, nos chás e nos refrigerantes de cola.

Peixes
Os mais indicados são o salmão, o atum e a sardinha, pois possuem ômega 3 e ácidos graxos, ambos com ação anti-inflamatória.

Sementes, oleaginosas e azeites
Azeite de oliva, sementes e oleaginosas, como nozes, amêndoas e amendoim, contêm ácidos graxos e vitamina E, que estimulam a liberação de endorfinas e reduzem a liberação de prostaglandina.

Leite e derivados
Alimentos ricos em cálcio, como o leite e derivados, também são indicados para amenizar as cólicas. Isso porque o cálcio age diretamente na musculatura lisa do útero, relaxando-a e diminuindo a intensidade das contrações dolorosas.

Frutas e hortaliças
Ricas em nutrientes e vitaminas, as frutas e hortaliças ajudam na digestão e não deixam aquela sensação de inchaço, amenizando o mal-estar das cólicas. Cenoura, tomate, verduras de folhas escuras (como agrião, couve e rúcula), banana e abacate, entre outras opções naturais, são indispensáveis no cardápio.

Soja e derivados
Produtos à base de soja e seus derivados dão energia, aumentam a disposição e ajudam a superar a fadiga típica do período menstrual.


Chás
Os chás mais indicados são os de louro, artemísia, canela e gengibre, pois aliviam as dores e auxiliam na limpeza do aparelho reprodutor.


Chocolate
O chocolate tem o aminoácido triptofano, que atua na ativação da serotonina, molécula envolvida na regulação do humor. Comer pequenas quantidades do tipo meio amargo ou com 70% de cacau pode aliviar as dores da menstruação.




sábado, 26 de janeiro de 2013

Alzheimer: esclareça suas dúvidas

Mal de Alzheimer - Especialistas no assunto esclarecem as principais dúvidas sobre a doença que apaga a memória
 
1. Afinal, o que é a doença?
Trata-se da destruição progressiva dos neurônios. A devastação começa no hipocampo, a área onde se processa a memória e, com o tempo, se alastra por outros cantos do cérebro. Por isso, ficam comprometidas funções cognitivas essenciais, como a gravação das lembranças e a orientação do indivíduo no tempo e no espaço.

"São dois os mecanismos por trás da doença", diz Paulo Caramelli, coordenador do Departamento de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. "O primeiro é a formação das placas betaamilóides." Como elas aparecem? Explicamos: normalmente existem no cérebro proteínas precursoras de outro tipo de proteína, a tal betaamilóide. "Elas ficam ancoradas nas membranas dos neurônios, mas ainda não se sabe ao certo qual a sua função", conta Caramelli.

Num processo natural, essas proteínas são quebradas por enzimas e os seus fragmentos perdem-se em meio às células — nada disso, diga-se, oferece risco à cachola. O problema é quando, por motivos ainda obscuros, outras enzimas entram em ação para dividir as precursoras de betaamilóide. Elas quebram essas proteínas no lugar errado e o resultado dessa interação mal feita são novas proteínas. "Só que elas não são mais inócuas. Ao contrário, tornam-se tóxicas", afirma Caramelli. Essas novas moléculas, por sua vez, passam a depositar-se no cérebro, formando verdadeiras placas. "E isso prejudica as sinapses, a comunicação entre um neurônio e outro, o que os torna mais limitados", explica o neurologista. Resultado: as células nervosas morrem.

As explicações não param por aqui. Lembra-se do que dissemos? Existem duas alterações que disparam o Alzheimer. Vamos à segunda: um problema com outra proteína, a Tau. "Ela é produzida naturalmente no cérebro e é fundamental para o transporte de substâncias entre as células", descreve Caramelli. A Tau participa de uma verdadeira rede de comunicação e troca de nutrientes na massa cinzenta. "Mas, nos portadores de Alzheimer, essa proteína fica desestabilizada e não funciona como deveria. Daí, todo o equilíbrio entre os neurônios é prejudicado", diz Caramelli.

Essa profusão de alterações microscópicas leva à falência e à morte das células nervosas. No começo, a principal vítima é a memória recente. Gradualmente, as lembranças mais antigas também se esfarelam. E, com o avanço do mal, o órgão que comanda o corpo acaba se aposentando.
2. Por que esse problema neurodegenerativo aparece? Ainda não existe uma resposta absoluta para essa questão. "Nós já sabemos que a predisposição genética e o próprio envelhecimento são seus principais fatores de risco", conta o geriatra Paulo Canineu, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Foram identificados recentemente vários genes alterados que determinam o mal", completa o médico, que é diretor clínico do Hiléa Vivência e Assistência a Idosos, em São Paulo. Além disso, a ciência vem demonstrando que as condições responsáveis pelos distúrbios cardiovasculares contribuem para a degeneração dos neurônios. Ou seja, gordura abdominal em excesso, diabete, colesterol nas alturas e pressão arterial elevada podem dar um bom empurrão.
Hoje alguns especialistas já arriscam dizer que existem duas variações de Alzheimer. "Noventa e cinco por cento dos portadores apresentam a doença esporádica, aquela que surge depois dos 60 anos sem que haja necessariamente a presença de outros casos na família", diz Canineu. "E 5% têm o que o chamamos de Alzheimer familiar. Só que, nesse caso, o mal pode acometer o indivíduo antes dos 60 anos e evoluir mais rapidamente", conclui.

3. Quais os seus sinais? O principal deles é a constante perda de memória. As lembranças recentes tendem a se evaporar num piscar de olhos. "O indivíduo não consegue fixar nem um recado", exemplifica o geriatra Paulo Canineu. Além da memória em bancarrota, alguns portadores apresentam alterações de comportamento, dificuldades de concentração e tendem a ficar absortos em pensamentos distantes da realidade. "Muitos perdem a capacidade de julgamento e a orientação no tempo e no espaço", lembra o especialista. Com o progresso da doença, o indivíduo pode tornar-se depressivo e viver com alucinações.
4. Como são feitos o diagnóstico e o tratamento?
O diagnóstico é baseado na própria história do paciente. "Ele é feito por exclusão", conta o neurologista Paulo Caramelli. São avaliados os sintomas e, para afastar a possibilidade de outra encrenca, costumam ser solicitados exames de sangue e imagem, como ressonância da cabeça. "Hoje o diagnóstico tem entre 85% e 90% de segurança", constata o médico.

E o tratamento? Em primeiro lugar, é importante deixar claro que a doença ainda não tem cura nem o quadro pode ser revertido. Mas existem medicamentos que barram o seu avanço, o que permite o controle da degeneração. "Eles evitam a perda das funções cognitivas", diz o neurologista Ivan Okamoto, coordenador do Núcleo de Envelhecimento Cerebral da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. São duas as classes de remédio responsáveis pelo benefício: os inibidores de acetilcolinesterase, mais receitados nos casos classificados como leves e moderados, e os antiglutamatos, indicados a portadores em estágio mais avançado. A apresentação é em forma de comprimidos, que devem ser tomados diariamente. A novidade é que a rivastigmina, um princípio ativo do primeiro grupo citado, já pode ser encontrada como adesivo para a pele.

5. Como afastar a doença?
Quando o assunto é Alzheimer, prevenção ainda é palavra controversa. Como os genes entram em jogo e algumas dúvidas rondam o mal, os médicos hesitam em prescrever medidas 100% eficazes. O que já se sabe, no entanto, é que botar a cabeça para funcionar é regra básica para protegê-la. Manter a massa cinzenta ativa — exercitando-se intelectualmente, trabalhando e interagindo com outras pessoas — aumenta as chances de se ver livre do mal. E o geriatra Paulo Canineu alerta: "Tanto o analfabeto quanto o catedrático podem ter Alzheimer. O grande perigo é se aposentar e parar de exercitar o cérebro."

Estudos recentes revelam, aliás, que os males cardiovasculares e o diabete tornam o organismo mais suscetível à doença neurodegenerativa. Dessa forma, conservar uma dieta equilibrada, com menos gordura e açúcar, praticar atividades físicas e tomar cuidados extras com a glicemia e a pressão arterial são medidas importantes para blindar a cabeça e fazê-la pensar por muito, muito tempo.


6. Até que ponto a perda de memória em razão da idade é normal?


O envelhecimento torna a memória, digamos, menos afiada. Isso é natural e não deve preocupar. "Com o passar do tempo as pessoas demoram mais tempo para se lembrar das coisas", observa o neurologista Ivan Okamoto. "É que as mudanças no cérebro afetam a velocidade do processamento da memória", explica. Vale esclarecer também que, independentemente da faixa etária, qualquer indivíduo está sujeito aos "brancos" e dificuldades de recordar uma data ou um nome. "A memória também depende do nosso estado geral, ou seja, se estamos cansados, mal alimentados ou alterados psicologicamente", salienta Paulo Canineu. "Por isso, lapsos podem acontecer em qualquer fase da vida."

O sinal de alerta deve ser acionado no momento em que as perdas de memória tornam-se freqüentes e passam a atrapalhar a rotina. "Isso acontece, por exemplo, quando a pessoa vai ao supermercado e não sabe como voltar de lá", diz Paulo Canineu. Ou, então, quando ela se esquece como se prepara aquele prato de sempre. Paulatinamente, vem esquecimento atrás de esquecimento. Isso impede que o indivíduo se mantenha atualizado e compromete suas atividades no dia-a-dia. Acentuam-se, assim, as suspeitas de que o responsável pela memória cada vez mais frágil seja o Alzheimer.

7. Por que o número de portadores de Alzheimer cresce mundo afora?
Os médicos esboçam duas explicações para o fenômeno. A primeira delas diz respeito à maior expectativa de vida das pessoas em todo o planeta. "A longevidade aumenta, inclusive no Brasil", lembra Paulo Caramelli. E a idade, como mencionamos, é um dos principais fatores de risco para a eclosão da doença. Em outras palavras, o risco aumenta na medida que os anos passam — tanto faz ser homem ou mulher. Outro motivo é a maior precisão nos diagnósticos. "Hoje os médicos conhecem mais a doença, estão cientes do que ela é", acredita o neurologista. No fim das contas, o próprio holofote que a medicina lançou sobre a doença propicia, felizmente, que mais casos sejam detectados e, conseqüentemente, tratados.
 
Fonte: Revista Saúde; por Diogo Sponchiato

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Livre-se da gordura no fígado

Maneire no carboidrato





 
´Ele é o grande vilão da história´, define a nutricionista Luciana de Carvalho, do departamento de gastroenterologia da Universidade Federal de São Paulo. "Isso não significa que pães e massas devam ser abolidos do dia a dia", esclarece a especialista. "Mas é preciso consumi-los com moderação."

Cuidado com algumas gorduras

Quem se abarrota de carnes vermelhas, manteiga, frituras e biscoitos industrializados leva para dentro do organismo um batalhão de gorduras saturada e trans. Daí, a silhueta e, claro, o fígado engordam.




Invista nas fibras

A aveia, o farelo de trigo, as massas integrais, as frutas e as verduras são exemplos de fontes dessas substâncias que se revelam grandes aliadas de um fígado em forma.

Aposte nas gorduras do bem

Estamos falando dos ácidos graxos monoinsaturados e dos parceiros polinsaturados. Com o perdão dos palavrões, são essas as gorduras que merecem respeito porque ajudam o fígado emagrecer.






Conte com eles: os antioxidantes

Ícones de qualquer alimentação balanceada, os vegetais são os principais reservatórios das substâncias que enfrentam os radicais livres, moléculas que podem prejudicar o corpo - e o fígado.

Atenção ao álcool

Eis um assunto que merece bastante cautela. Quando o fígado engorda mas ainda não se tornou refém inflamações - só nesses casos -, pode-se tomar até uma taça de vinho tinto (de 100 a 200 mililitros) por dia.

Perca peso, mas vá devagar

Perca peso, mas vá devagar É necessário manter o rigor - aliando a dieta à prática de exercícios físicos - para emagrecer, mas é loucura tentar mandar para o espaço quilos e quilos num curto espaço de tempo.

Fonte: Revista Saúde

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Os Micróbios por trás do Câncer

Um entre cada seis tumores é provocado pelo ataque de vírus, bactérias e companhia. Investigamos como as infecções abrem brecha para a doença e quando é possível prevenir a dupla ameaça
Os micro-organismos retratados ao longo desta reportagem fazem parte de uma mesma quadrilha: após invadir o corpo humano e se reproduzir dentro dele, têm a capacidade de criar condições propícias para um câncer aparecer. Quem pensava que a atuação desses criminosos invisíveis a olho nu não representava perigo em larga escala vai se impressionar com os números colhidos por um estudo recém-publicado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, com dados de 184 países. De 12,7 milhões de novos casos da doença registrados em 2008, pelo menos 2 milhões estão intimamente associados a infecções. O inquérito ainda descobriu que, se as agressões virais ou bacterianas fossem frustradas a tempo, cerca de 1,5 milhão de vidas seriam poupadas.

"A participação das infecções no câncer ainda é subestimada, sobretudo nos países em desenvolvimento, locais mais acometidos por esse problema", analisa a epidemiologista francesa Catherine de Martel, uma das líderes do trabalho. "Enquanto na América do Norte os micro-organismos estão por trás de 3% dos tumores, na África subsaariana um terço de todos os cânceres tem origem infecciosa ", conta. Esses males apresentam, portanto, uma conexão com o grau de desenvolvimento da região — e do acesso à informação e ao meio médico.

Chama atenção outro dado coletado pelo estudo internacional: 95% dos casos de câncer ligados a infecções são protagonizados pelo HPV, a bactéria H. pylori e os vírus das hepatites B e C. Contrair um desses bichos não prediz o aparecimento de um tumor no futuro, mas, claro, aumenta consideravelmente essa probabilidade. Tudo depende do tempo que cada um dos tipinhos nefastos está ali e da propensão do hospedeiro. Há, contudo, algumas nuances que acompanham esse raciocínio. "Hoje acreditamos que não existe câncer de colo de útero sem HPV", afirma a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo. "Já a presença da H. pylori não significa necessariamente que o indivíduo terá a doença no estômago. Mas buscamos erradicar a bactéria para reduzir o risco", completa o oncologista Samuel Aguiar Júnior, do Hospital A.C. Camargo, na capital paulista.

Micro-organismos dispõem de vários meios para semear, às vezes até sem querer, o mal. Nas hepatites B e C, por exemplo, se observa um duplo estímulo pró-câncer. "Os vírus em si induzem alterações nas células do fígado que favorecem o problema, principalmente o tipo B. Além disso, a cirrose, decorrente de décadas de hepatite sem tratamento, contribui para o surgimento do tumor ali", explica o infectologista Evaldo de Araújo, do Laboratório de Hepatites Virais do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Recentemente, outro agente infeccioso foi parar em julgamento. É o citomegalovírus, bastante comum na população, mas cuja passagem ou permanência no organismo raras vezes dá sintoma. O réu é acusado de estar envolvido em tumores de glândula salivar, mas ainda não se comprovou em seres humanos se ele realmente provoca o tormento. Até o momento, o meliante carrega mais a culpa de dar força para o problema já instalado. "O processo de proliferação e disseminação do câncer se acelera na presença do vírus", explica a bióloga Maria Cristina Carlan da Silva, da Universidade Federal do ABC, na Grande São Paulo.

Outros vírus e bactérias estão sob investigação por possíveis alianças com o câncer. Uma associação explorada nos últimos anos é a da doença periodontal — que começa com uma gengivite e pode levar à perda dos dentes — com tumores na cavidade oral. "Sabemos que micro-organismos da placa bacteriana liberam compostos cancerígenos, mas ainda não foi estabelecida uma relação direta", diz Cláudio Pannuti, professor de periodontia da Universidade de São Paulo. "É comum, no entanto, flagrarmos uma higiene dental deficitária entre pacientes com câncer bucal."

Os micróbios costumam trabalhar a favor dos tumores de modo mais indireto também. Basta pensar em infecções que deprimem o sistema imune, como a do HIV. "Os soropositivos que desenvolvem aids correm maior risco de alguns tumores, como os provocados por vírus oportunistas", conta a infectologista Roberta Schiavon Nogueira, da Sociedade Paulista de Infectologia. "Daí a necessidade de detectar o HIV e entrar com o tratamento quanto antes", completa.

Até a flora intestinal, nossa coleção particular de bactérias, influenciaria a probabilidade de ter um câncer, especialmente nos confins do aparelho digestivo. "É provável que haja perfis de flora que tornam o intestino mais suscetível à doença e interfiram inclusive na resposta ao tratamento", diz Aguiar Júnior.

Conhecimento — seja fruto de pesquisas em laboratório, seja de trabalhos epidemiológicos — é crucial para esclarecer e derrubar a ponte entre infecção e câncer, bem como todos os atalhos envolvidos nessa via. Os números do último levantamento global, publicado na respeitada revista médica Lancet Oncology, reforçam a importância de ficar alerta a esse elo. "A maior parte dos tumores de origem infecciosa poderia ser prevenida com imunização e métodos de rastreamento, exigindo gastos mínimos se comparados aos dos tratamentos", avalia Catherine. Ora, não dá para menosprezar os micróbios, muito menos quando eles têm uma queda pelo câncer.

A doença em números 12,7 milhões de novos casos de câncer foram registrados no mundo em 2008
2 milhões estão associados a infecções
1,9 milhão desses tumores são detonados por HPV, hepatites B e C e pela bactéria H. pylori
Fonte: Revista Saúde. Diogo Sponchiato, com reportagem de Jaime Mitchell
 

Açúcar demais dá Mau Humor e deixa o Raciocínio Lento

Se em pequenas pitadas o alimento acalma e oferece energia, exagerar no seu consumo pode prejudicar seu cérebro.  

Obesidade e diabete — ao falarmos do impacto de abusos adocicados, é natural nos lembrarmos desses males. Acontece que, quando são criados laços fortes com duas enormes ameaças para a saúde, outras eventuais relações nefastas são muitas vezes ofuscadas. Ainda assim, o chileno Fernando Gomez-Pinilla, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos Estados Unidos, resolveu investigar um elo diferente: o de doses altas de açúcar com piripaques na massa cinzenta. "Já sabíamos que a substância interfere em mecanismos de saciedade no sistema nervoso central, disparando até compulsão alimentar. Por isso, decidimos estudar se ela também comprometeria o aprendizado e a memória", conta o neurocirurgião.

Para verificar a hipótese, Gomez-Pinilla ensinou ratos a encontrar a saída de um labirinto. Na sequência, ofereceu por seis semanas uma dieta rica em frutose, tipo de carboidrato simples presente nas frutas e em produtos industrializados por ser um adoçante forte e barato. E então, mesmo treinados, os animais tiveram dificuldade para vencer o desafio imposto pelos cientistas, sinal de que os circuitos dentro do crânio estavam sofrendo para trabalhar com tanta doçura. "A concentração de frutose utilizada foi bem elevada. Mas, se passarmos isso para seres humanos, é uma quantidade possível de ser atingida pela alimentação, principalmente ao considerarmos o crescente consumo do ingrediente no mundo", ressalta o autor do artigo. "Acho que chamamos a atenção para outro provável efeito do açúcar", arremata.

Além de observar o comportamento das cobaias, os pesquisadores analisaram a massa cinzenta delas para ver se havia algo de errado. A descoberta é que o envio de mensagens entre os neurônios realmente estava problemático. "Embora seja essencial confirmar isso em levantamentos futuros, faz sentido pensar que a ingestão de outros açúcares fora a frutose tenha o mesmo resultado, porque eles agem de maneira semelhante", afirma Ivan de Araújo, neurocientista brasileiro da Universidade Yale, nos Estados Unidos.

Uma das apostas dos experts para elucidar como esses carboidratos atrapalhariam o raciocínio recai sobre a insulina. "Enquanto no resto do organismo o hormônio está mais relacionado ao processo de colocar glicose dentro das células, no cérebro ele também é neurotrófico", analisa o neurologista e geriatra Matheus Roriz Cruz, coordenador do Ambulatório de Neurogeriatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Traduzindo: essa molécula, quando em níveis ideais, promove o bom funcionamento de várias regiões do encéfalo, e em especial o hipocampo, muito ligado à memória e ao aprendizado. E daí? Daí que, ao se empanturrar com chocolate, o pâncreas produz um monte de insulina — e tudo indica que esse excesso destrambelha de alguma maneira sua atuação normal na cabeça.

"Os mecanismos exatos ainda não estão claros, porém existe a teoria de que receptores específicos do hormônio localizados nas células nervosas fiquem desregulados sob essas condições. Com isso, a substância não exerce seu papel direito", analisa Gomez-Pinilla. De forma simplista, dá para dizer que é uma espécie de resistência à insulina acima do pescoço.

Outra explicação é que a glicose, quando em taxas estratosféricas, incita a fabricação dos temidos radicais livres. Por sua vez, essas partículas nocivas danificariam a membrana que reveste os neurônios, afetando sua capacidade de emitir impulsos elétricos, o que, na prática, culmina em uma mente pouco afiada.

Agora, será que se esbaldar por um período restrito com bolachas recheadas, sorvetes e afins já causaria toda essa confusão? "O tema é controverso, mas, segundo alguns poucos estudos experimentais, sim. Uma dieta desregrada por meses, associada ao sedentarismo, complicaria a cognição temporariamente", informa, cauteloso, Roriz Cruz. "O que se sabe mesmo é que a ingestão de muitos açúcares ao longo dos anos provoca diabete, uma enfermidade que aumenta o risco de demências", destaca o nutrólogo Nelson Lucif Júnior, da Associação Brasileira de Nutrologia, em Ribeirão Preto, no interior paulista (entenda mais sobre o elo lendo abaixo O diabete e a cuca).

Contra-ataque nutritivo

Naquela pesquisa da Universidade da Califórnia, uma turma dos ratos que antes havia se entupido de refeições adocicadas depois recebeu um cardápio repleto de ômega-3, gordura encontrada em peixes de águas profundas. Acredite se quiser, os bichinhos voltaram a achar a saída do labirinto com facilidade. "Entre outras razões, esse ácido graxo constitui a membrana celular dos neurônios. Assim, atenua os efeitos dos radicais livres", declara Gomez-Pinilla.

Já as frutas, por contarem com bastante frutose, em uma primeira vista são quase como vilãs na história. "Só que, na mesa, o nutriente vem acompanhado de outras substâncias benéficas", diferencia a nutricionista Cynthia Antonaccio, diretora da Equilibrium Consultoria, na capital paulista. Entre eles, temos a vitamina C da laranja, as antocianinas do morango, o resveratrol da uva... Todos antioxidantes que neutralizam os radicais livres. Logo, o problema maior está em se encher de açúcar em si, esteja ele no brigadeiro caseiro ou em bebidas industrializadas.

A ideia não é banir o carboidrato das refeições. Até porque, dentro do limite, ele contribui para as atividades mentais. "Quando pouca glicose circula pelo corpo, há um impacto negativo sobre a cognição", reforça Lerário. Contudo, outras inúmeras opções alimentares que, pelo menos do ponto de vista fisiológico, são bem mais completas do que o pó branco também oferecem esse importante nutriente. "Mas nem ele está proibido, porque é uma fonte de prazer. Sempre digo às pessoas para o utilizarem onde realmente faça a diferença", ensina Cynthia. Em vez de adicioná-lo ao café ou para adoçar frutas, melhor esperar para se deliciar com aquele bolo de aniversário do amigo ou com a sobremesa feita pela sua mãe.

Atualmente, a recomendação é que não mais do que 10% das calorias diárias venham por meio de açúcar adicionado, embora, de novo, menos é sempre mais nesse contexto. Em uma dieta de 2 000 calorias, isso equivale a cerca de 50 gramas. Para não extrapolar, sempre fique de olho nos rótulos e, claro, atente ao que coloca em receitas de doces ou nas bebidas. Uma colher de chá cheia possui, em média, 5 gramas. Uma de sopa, 24. "Nessa conta não entram as frutas in natura, os cereais integrais e por aí vai", acrescenta Cynthia.

Ao manter suas taxas de glicose em ordem, você até melhoraria seu ânimo. "Em períodos de hipoglicemia, são ativados mecanismos de estresse. Ou seja, a pessoa fica irritada e ansiosa", adverte Araújo. Por outro lado, o excesso de açúcar no sangue também parece influenciar nesse quesito. Na Universidade Loyola, nos Estados Unidos, cientistas mediram frequentemente a glicemia de 23 mulheres por 72 horas ao mesmo tempo que as questionavam sobre seu estado de espírito. Observe o que os autores escreveram na conclusão do trabalho: "Grandes e bruscas variações nesse índice talvez estejam associadas a humores negativos". Nem precisamos falar que essas oscilações muitas vezes surgem quando colocamos guloseimas demais na boca.

"Mas devemos ressaltar que o levantamento foi realizado com voluntárias diabéticas. Não dá para saber se essa variação é resultado da alimentação ou da doença em si", contrapõe Roriz Cruz. Sem contar que o caminho poderia ser o inverso. As integrantes avaliadas, por estarem ansiosas ou mesmo deprimidas, comeriam mais besteiras e deixariam de tomar os remédios de forma adequada, o que geraria as mudanças vistas no sangue. De qualquer jeito, fica o alerta. O açúcar, de acordo com o dicionário Houaiss, pode ser brandura, suavidade e meiguice. Em largas quantidades, porém, transforma-se em algo enjoativo e até perigoso. Cabe a você defini-lo do melhor jeito para sua vida.
O diabete e a cuca Se descontrolado, ele afeta a saúde mental O excesso de glicose no sangue, característica dessa enfermidade, degenera, aos poucos, veias e artérias. "Os vasos se estreitam, inclusive os que irrigam o cérebro", diz o endocrinologista Antonio Carlos Lerário, da Universidade de São Paulo. Aí, os neurônios morrem de fome, o que culmina em quadros demenciais. Isso sem contar que o diabete tipo 2 faz subir a concentração de insulina. "A enzima que a degrada também é responsável por quebrar a proteína beta-amiloide, precursora da doença de Alzheimer", diz o neurologista Matheus Cruz. Portanto, para regular os índices do hormônio, a enzima acabaria deixando intactas as moléculas deflagradoras do apagão das lembranças.

Água com açúcar acalma?
Talvez essa seja a receita caseira mais conhecida para apaziguar o nervosismo. "Em situações de estresse, há uma demanda por glicose. Ao satisfazê-la, realmente pode surgir a sensação de tranquilidade", explica Lucif Júnior. Só não vale usar a estratégia sempre. "Caso contrário, o corpo se acostuma com o aporte extra e o benefício se esvai", esclarece Ivan de Araújo.

Tipos de doçura
Cada um dos açúcares tem suas particularidades. Veja abaixo

1 - Frutose Adoça como poucos. Por isso, faz sucesso estrondoso na indústria.
Onde está: frutas, mel, xarope de milho, bebidas industrializadas.

2 - Lactose É composto de moléculas de glicose e sacarose. Muita gente tem dificuldade para digeri-lo.
Onde está: leite e seus derivados.

3 - Sacarose
Trata-se do resultado da união entre glicose e frutose.
Onde está: os açúcares refinado, mascavo e cristal são as principais fontes.

4 - Glicose Conhecida por ser a partícula mais usada pelas células para obter energia. É um marcador para o diabete.
Onde está: frutas, açúcar de mesa
 
Fonte: Revista Saúde. Por Theo Ruprecht | design Gisele Pungan e Laura Salaberry

sábado, 25 de agosto de 2012

Novo Hormônio imita efeito Emagrecedor de Exercício Físico

Batizado de 'irisin', hormônio produzido durante atividade física poderia trazer o mesmo efeito benéfico — mas com menos suor

Um novo hormônio, que é ativado durante a atividade física, pode ser uma promessa no combate à obesidade e também às doenças que aparecem em decorrência dela, como diabetes e problemas cardiovasculares. Batizado de 'irisin', o hormônio é idêntico em camundongos e humanos e é capaz de promover uma espécie de energia que queima gordura.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: A PGC1-α-dependent myokine that drives brown-fat-like development of white fat and thermogenesis

Onde foi divulgada: revista Nature

Quem fez: Pontus Bostrom e equipe

Instituição: Instituto do Câncer Dana Farber, em Boston

Resultado: A partir de testes em ratos, os pesquisadores descobriram um novo hormônio que poderia auxiliar no combate à obesidade. Ratos alimentados com uma dieta rica em gordura e que receberam o novo hormônio queimaram mais energia e tiveram o menor peso corporal quando comparados com ratos que receberam placebo.
Para chegar ao novo hormônio, os pesquisadores do Insitituto do Câncer Dana Farber, em Boston, analisaram as funções da proteína PGC1-alpha — relacionada aos benefícios dos exercícios, como a resistência à síndrome metabólica. "O hormônio traz uma mensagem do músculo para o tecido adiposo", disse o autor do estudo, Pontus Bostrom, ao site da New Scientist.
Ratos alimentados com uma dieta rica em gordura e que receberam o novo hormônio queimaram mais energia e tiveram o menor peso corporal quando comparados com ratos que receberam placebo.
Especular sobre as possibilidades de um hormônio que imita o efeito do exercício é fácil, mas explicar a sua existência é "um pouco mais complicado", afirmou Bostrom.
Como funciona - O tecido adiposo é constituído por dois tipos: gordura branca, cuja função é acumular energia no corpo; e a gordura marrom, que auxilia a queima de calorias ao gerar calor corporal.

Saiba mais

GORDURA MARROM
O tecido adiposo marrom, também chamado de gordura "boa", é abundante em recém-nascidos e em crianças até a puberdade. Sua principal função é manter a temperatura do corpo. Ao transformar a gordura corporal em calor, esse tecido libera a energia excedente, em vez de acumulá-la.
No estudo publicado neste mês pela Nature, os cientistas injetaram o novo hormônio nas células de gordura branca dos camundongos. Eles perceberam que as células se tornaram células de 'gordura bege', que poderiam ser equiparadas à gordura marrom, capazes de queimar calorias para gerar calor corporal.
Jan Nedergaard, que estuda de gordura marrom no Instituto Wenner-Gren da Universidade de Estocolmo, na Suécia, afirmou à New Scientist que o hormônio irisin "pode ser interessante para todas as questões relacionadas à obesidade."
 
Fonte: Revista Veja

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Iogurte e aveia: O Casamento Perfeito para sua Saúde

Além de agradar o paladar, a dupla turbina a fertilidade e afasta o diabete
 


Na primeira edição de 2012, publicamos uma lista com 12 alimentos que você deveria incluir com maior frequência em sua rotina. Tanto o iogurte como a aveia estavam lá. Depois, em enquete no site, foram justamente eles os preferidos dos internautas para figurarem em maior quantidade no cardápio de 2012. Sábia escolha — que, tomara, esteja sendo seguida à risca.

Rico em cálcio, proteínas e, muitas vezes, enriquecido com bactérias do bem, o iogurte tem sido responsabilizado por melhorar a fertilidade masculina, contribuir para o processo de perda de peso e fortalecer o sistema imune. No quesito superpoderes, a aveia não fica atrás. Além de ajudar a podar pneus na barriga, ela é aliada de quem precisa derrubar as taxas de colesterol e controlar os picos de glicose na circulação. Se individualmente eles já batem um bolão — você conhecerá novos estudos nos links abaixo —, faz sentido pensar que a aliança seja fonte de muita saúde e felicidade.

Fonte: Por Thaís Manarini | design Laura Salaberry | fotos Alex Silva